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domingo, 10 de maio de 2009

The Cure - In between days

Não tem como incorporar, o link é esse

Yesterday I got so old
I felt like I could die
Yesterday I got so old
It made me want to cry

Go on go on
Just walk away
Go on go on
Your choice is made
Go on go on
And disappear
Go on go on
Away from here

And know I was wrong
When I said it was true
That couldn't be me
and be her in between

without you
Without you

Yesterday I got so scared
I shivered like a child
Yesterday away from you
It froze me deep inside

Come back come back
Don't walk away
Come back come back
Come back today
Come back come back
Why can't you see?
Come back come back
Come back to me

And I know I was wrong
When i said it was true
That it couldn't be me
and be her in between

without you
Without you


Tradução:

Ontem eu fiquei tão velho,
Eu me sentia como se pudesse morrer.
Ontem eu fiquei tão velho,
Isso me fez querer chorar...

Continue, continue,
Apenas vá embora.
Continue, continue
Sua escolha está feita.
Continue, continue
E desapareça,
Siga em frente, siga em frente
Para longe daqui...

E eu sei [que] eu estava errado
Quando eu disse que era verdade,
Que poderia não ser eu e ser ela
No meio, sem você.
Sem você...

Ontem eu fiquei tão assustado,
Eu tremi como uma criança.
Ontem, longe de você,
Isso me gelou profundamente por dentro...

Volte, volte,
Não vá embora.
Volte, volte,
Volte hoje.
Volte, volte,
Por quê você não consegue perceber?
Volte, volte,
Volte para mim...

E eu sei [que] eu estava errado
Quando eu disse que era verdade,
Que poderia não ser eu e ser ela
No meio, sem você.
Sem você...
Sem você,
Sem você...

xxx

Às vezes eu acho que não sou só eu que amo de forma "so ridiculously teenage & desperate", a arte [músicas, literatura, cinema, teatro, etc. etc. ] tá aí pra provar isso hahaha.

Isso me lembrou de uma crônica do Verissimo, aliás. E danem-se os direitos autorais, vou transcrever sim.


O verdadeiro você

Um homem só se conhece em duas situações: quando está sob a ameaça de uma arma ou quando quer conquistar uma mulher. Há quem diga que existe um terceiro teste: como o homem reage diante de um vitral da catedral de Chartres. Pode ter sido um materialista incréu a vida toda, mas diante de um vitral da catedral de Chartres se descobre um místico - ou não. Sei de céticos que, com certa luz do entardecer batendo nos vitrais da catedral de Chartres, chegaram a levitar alguns centímetros, até racionalizarem a situação e voltarem para o chão. Mas só nos conhecemos, mesmo, na frente de uma arma ou atrás de uma mulher.


Você pode argumentar que ambas são situações de descontrole emocional. Errado: o descontrole é o homem. O controle é o disfarce. Você deve se julgar pelo seu comportamento quando enfrentou a possibilidade da morte ou quando estava a fim da (o nome é hipotético) Gesileide. Aquela vez que você se escondeu atrás de um poste para ver se ela chegava em casa com alguém. Meia-noite e você atrás do poste, sob o olhar curioso de cachorros e porteiros, fingindo que lia a lista do bicho no escuro. Aquele imbecil - e não esse cidadão adulto, respeitável, razoável, comedido, talvez até com títulos - é você. Tudo o mais é a capa do imbecil essencial. Tudo o mais é fingimento. Você nunca foi tão você quanto atrás daquele poste.


Pense em tudo o que você já fez para conquistar uma mulher. Os falsos encontros casuais, cuidadosamente arquitetados. Os falsos telefonemas errados, só para ouvir a voz dela. ("Telefonei para você? Onde eu estou com a cabeça!") As bobagens que você disse, tentando impressioná-la. Pior, as bobagens que você ensaiou em casa e disse como se tivesse pensado na hora. O que você lhe escreveu, sem revisão ou autocrítica. Aquele ridículo era você. Os dias e dias que você passou só pensando nela. O país desse jeito, e você só pensando nela. Sem dormir, pensando nela. Tanta coisa para fazer, e você escrevendo o nome dela sem parar. Gesileide (digamos), Gesileide, Gesileide... E as mentiras? E a vez que você inventou que era primo do Julio Iglesias?


E o que você sofreu quando parecia que não ia dar certo? Como um adolescente. Aquele adolescente era você. Isso que você é agora é o disfarce, o imbecil essencial em recesso provisório. Só o vexame é autêntico num homem.
- Luis Fernando Verissimo

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